

Guarapuava em dois tempos: Rua Saldanha Marinho
(superior) e vista a partir do Parque do Lago (acima)
O município de Guarapuava completou 191 anos de fundação neste 9 de Dezembro, sem nenhuma comemoração oficial. Não há precedentes históricos, desde que a data foi oficializada, em 1936, de que isso tenha ocorrido.
Compartilhei com meus conterrâneos guarapuavanos deste vazio, pois a data sempre foi um marco da História não só da região central, mas do Paraná como um todo, pela importância que Guarapuava teve na formação política, social e econômica do nosso Estado.
Não posso concordar que o atual prefeito tenha abolido o 9 de Dezembro das comemorações festivas do Município, apenas com o objetivo de prevalecer a data que ele lançou, em alusão aos 200 anos da chegada da Real Expedição Colonizadora aos Campos de Guarapuava , no dia 17 de junho de 1810.
Justiça seja feita aos 200 anos, na medida em que remete à conquista do território guarapuavano e também ao início da Diocese de Guarapuava, eis que a Igreja teve papel decisivo no povoamento e na consolidação da estrutura do Município.
Isto reforça ainda mais o 9 de Dezembro, pois é a data (em 1819) que Guarapuava foi elevada à categoria de Freguesia de Nossa Senhora de Belém, marco inicial para anos depois ser transformada em Vila (17 de julho de 1852), em Comarca (2 de maio de 1859) e, por fim, chegar ao desmembramento do município de Castro (12 de abril de 1871).
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| O Brasão de Guarapuava, criado em 1935 pelo historiador David Carneiro |
O 9 de Dezembro está presente
na cultura dos guarapuavanos e
na memória dos paranaenses
Reverenciar o 9 de Dezembro também é uma questão de Justiça, não só com os guarapuavanos, que já adotaram essa efeméride em seu calendário cultural, como também à própria História e aos colonizadores. A criação da Freguesia, e dos atos que se sucederam, só foi possível ao esforço daquelas famílias que lograram assumir os campos inóspitos desta porção central do Paraná, atendendo a uma determinação da Coroa Portuguesa.
Festejar uma data não significa abandonar a outra. O Brasil comemora o Dia do Descobrimento e também o da Independência. São referências históricas que servem para desvendarmos, no conjunto dos elementos sociais, circunstâncias que vivemos no presente e prognósticos para o futuro.
Abolir o 9 de Dezembro é subtrair parte expressiva da História de Guarapuava. Acrescentar os 200 anos é somar. Se continuarmos dividindo, e não multiplicando, estaremos sempre em busca de um elo perdido, quando ele está aqui ao nosso alcance, tão presente, tão real.
